A cirurgia é uma das opções de tratamento para a incontinência urinária de esforço e para o prolapso genital, a chamada bexiga caída. Ela não é o primeiro passo para a maioria das mulheres, mas pode ser a melhor escolha em situações específicas. Este texto explica quando a cirurgia costuma ser considerada, quais são os tipos mais usados e o que pesar antes de decidir.

Quando a cirurgia costuma ser considerada

As diretrizes, como a do NICE, recomendam começar pelo tratamento conservador: mudanças de hábito, exercícios do assoalho pélvico com orientação por pelo menos três meses e, no caso do prolapso, também o pessário. A cirurgia passa a ser discutida quando:

  • os sintomas continuam incomodando depois do tratamento conservador bem feito;
  • o prolapso é grande e causa sintomas importantes, como dificuldade para urinar ou evacuar;
  • a mulher, depois de conhecer todas as alternativas, prefere a solução cirúrgica.

A decisão é sempre compartilhada: a médica explica as opções, os benefícios esperados e os riscos de cada uma, e a escolha leva em conta a idade, a saúde geral, a vida sexual, o desejo de ter filhos e as cirurgias anteriores.

Cirurgias para incontinência urinária de esforço

Sling de uretra média

É uma das cirurgias mais estudadas para a incontinência de esforço. Uma faixa estreita de material sintético é posicionada sob a parte média da uretra, por um pequeno corte na vagina, para dar sustentação no momento do esforço. Existem variações na forma de colocar a faixa, como a via retropúbica e a via transobturatória, cada uma com perfis próprios de resultados e efeitos indesejados.

Outras técnicas

  • Colpossuspensão: os tecidos ao lado da uretra são fixados a estruturas firmes da pelve, por via abdominal ou videolaparoscópica.
  • Sling com tecido da própria paciente: usa uma faixa retirada da fáscia da própria mulher, sem material sintético.
  • Agentes de preenchimento uretral: substâncias injetadas ao redor da uretra. São menos invasivos, mas o efeito tende a ser menor e menos duradouro.

Cirurgias para prolapso genital

O tipo de cirurgia depende de qual parte desceu (parede da frente, útero ou fundo da vagina, parede de trás) e do grau do prolapso. Entenda os graus em bexiga caída: sintomas, graus e tratamento.

  • Correção com tecidos da própria paciente por via vaginal: reforça as paredes da vagina e os ligamentos de sustentação.
  • Sacrocolpopexia: fixação do fundo da vagina ou do útero a uma estrutura firme da coluna sacral, geralmente com tela, por videolaparoscopia ou por via abdominal. Costuma ser considerada em prolapsos do compartimento apical e em recidivas.
  • Colpocleise: fechamento do canal vaginal, opção para mulheres mais idosas que não têm mais vida sexual com penetração e desejam uma cirurgia mais curta.

O uso de telas sintéticas colocadas pela vagina para corrigir prolapso passou a ser muito restrito em vários países, por causa de complicações. Por isso, hoje essa indicação é avaliada com grande cautela.

Avaliação antes da cirurgia

Antes de operar, a médica confirma o tipo de incontinência, avalia se existe prolapso associado, verifica se a bexiga esvazia bem e revisa a saúde geral. O exame urodinâmico pode ser pedido em casos mistos, quando há cirurgia anterior ou quando o tipo de incontinência não está claro. Em incontinência de esforço pura e bem caracterizada, as diretrizes indicam que ele pode não ser necessário.

Recuperação e riscos

A recuperação depende da técnica. Em geral, é recomendado evitar carregar peso e fazer esforço intenso por algumas semanas, e retomar as atividades aos poucos, conforme orientação. Como em toda cirurgia, existem riscos, que são discutidos individualmente antes da decisão. Entre eles estão dificuldade temporária para urinar, infecção urinária, dor, surgimento de urgência urinária, exposição ou complicações relacionadas à tela, quando usada, e a possibilidade de os sintomas voltarem com o tempo.

Perguntas frequentes

A cirurgia de sling resolve a incontinência para sempre?

Muitas mulheres têm melhora importante e duradoura, mas nenhum tratamento garante resultado. Os sintomas podem voltar com o tempo, e a cirurgia não trata a urgência causada pela bexiga hiperativa.

Posso ter filhos depois da cirurgia de incontinência?

É possível, mas a gestação e o parto podem afetar o resultado. Por isso, quando há planos de gravidez, costuma-se priorizar o tratamento conservador e discutir o melhor momento para operar.

A cirurgia é feita pelo convênio?

As cirurgias para incontinência urinária e prolapso costumam ter cobertura pelos planos de saúde, conforme as regras de cada contrato. Os detalhes são conversados na consulta.

Quando procurar uma uroginecologista

Procure avaliação se a perda de urina ou a sensação de peso na vagina continuam incomodando mesmo depois de tratamentos como fisioterapia, se você recebeu indicação de cirurgia e quer entender as opções, ou se já operou e os sintomas voltaram. Veja também o guia completo sobre incontinência urinária na mulher.

A Dra. Gabriela Costa, ginecologista com subespecialidade em uroginecologia, atende em Belo Horizonte. Conheça o atendimento em uroginecologia, faça a avaliação gratuita de incontinência (ICIQ-SF) ou agende pelo WhatsApp.

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Fontes consultadas: NICE, diretriz NG123: Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management (2019). AUA/SUFU, diretriz sobre incontinência urinária de esforço feminina. FDA, comunicados sobre telas transvaginais para prolapso (2019). IUGA, folhetos informativos para pacientes.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente tem indicação individualizada, definida em avaliação clínica.

Dra. Gabriela Costa · CRM-MG 82497 · RQE 58897
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