O exame urodinâmico, também chamado de estudo urodinâmico, avalia como a bexiga e a uretra funcionam: como a bexiga enche, quanto ela consegue armazenar, se ela se contrai fora de hora, se a urina escapa no esforço e como acontece o esvaziamento. É um exame útil, mas que não é necessário para todas as mulheres com perda de urina. Este texto explica para que serve, como é feito e quando ele costuma ser indicado.
Para que serve o exame urodinâmico
A conversa e o exame no consultório costumam ser suficientes para identificar o tipo de incontinência e iniciar o tratamento. O estudo urodinâmico entra quando é preciso medir o funcionamento da bexiga de forma objetiva. Ele ajuda a:
- diferenciar a incontinência de esforço da incontinência de urgência quando os sintomas são mistos ou pouco claros;
- identificar contrações involuntárias da bexiga, típicas da bexiga hiperativa;
- avaliar se a bexiga esvazia bem e se há obstrução ou contração fraca;
- planejar alguns tratamentos, como certas cirurgias.
Quando ele é indicado
Diretrizes como a do NICE recomendam não fazer o exame antes de iniciar o tratamento conservador, e também não antes da cirurgia em mulheres com incontinência de esforço pura, bem caracterizada na avaliação clínica. Ele costuma ser considerado quando:
- os sintomas são mistos e não está claro qual tipo predomina;
- o tratamento inicial não trouxe a melhora esperada;
- há suspeita de dificuldade para esvaziar a bexiga;
- a mulher já fez cirurgia para incontinência ou prolapso;
- existe doença neurológica que afeta a bexiga;
- antes de alguns procedimentos, como a toxina botulínica na bexiga ou certas cirurgias.
Quem decide se o exame é necessário é a médica, a partir da avaliação.
Como é feito o exame urodinâmico
É um exame ambulatorial, feito sem anestesia, que costuma levar menos de uma hora. Em geral tem três partes:
1. Urofluxometria
Você urina num vaso sanitário especial, que mede a velocidade e o volume do jato. Por isso costuma ser pedido que você chegue com a bexiga confortavelmente cheia.
2. Cistometria
Uma sonda bem fina é colocada pela uretra até a bexiga, e outra pequena sonda é posicionada no reto ou na vagina para medir a pressão abdominal. A bexiga é enchida aos poucos com soro, e você vai informando as sensações: primeira vontade, vontade forte, urgência. Durante o enchimento, a médica ou o técnico pode pedir para você tossir ou fazer força, para verificar se há perda.
3. Estudo de fluxo e pressão
Com a bexiga cheia, você urina com as sondas no lugar. Assim é possível ver a força da contração da bexiga e se há alguma resistência à saída da urina.
Preparo
O preparo é dado pelo serviço que realiza o exame, mas costuma incluir chegar com a bexiga cheia, informar todos os medicamentos em uso (alguns podem precisar ser suspensos antes, sempre com orientação) e levar o diário miccional, se ele tiver sido pedido. Se você estiver com sintomas de infecção urinária, avise antes, porque o exame pode precisar ser adiado.
O exame dói?
A maioria das pessoas sente apenas um desconforto na passagem da sonda, parecido com o de uma sondagem rápida. Pode haver uma leve ardência ao urinar nas horas seguintes. Beber água ao longo do dia ajuda. Infecção urinária depois do exame é incomum; febre, dor ou ardência que não passa devem ser comunicadas.
Perguntas frequentes
Toda mulher com perda de urina precisa fazer exame urodinâmico?
Não. Na maioria dos casos, a avaliação clínica basta para começar o tratamento. O exame fica reservado para situações específicas.
O exame urodinâmico é feito no consultório?
Ele é feito em serviços com equipamento próprio. Quando indicado, a médica faz o pedido e orienta onde realizar.
Preciso fazer o exame antes da cirurgia de incontinência?
Depende do caso. Em incontinência de esforço pura e bem caracterizada, as diretrizes indicam que o exame pode não ser necessário. Em casos mistos ou complexos, ele ajuda no planejamento.
Quando procurar uma uroginecologista
Procure avaliação se você perde urina, tem urgência, dificuldade para esvaziar a bexiga ou recebeu um pedido de exame urodinâmico e quer entender o resultado e os próximos passos. Leia também o guia completo sobre incontinência urinária na mulher e veja quando a cirurgia de incontinência e prolapso é considerada.
A Dra. Gabriela Costa, ginecologista com subespecialidade em uroginecologia, atende em Belo Horizonte. Conheça o atendimento em uroginecologia, faça a avaliação gratuita de incontinência (ICIQ-SF) ou agende pelo WhatsApp.
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Fontes consultadas: NICE, diretriz NG123: Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management (2019). International Continence Society (ICS), Good Urodynamic Practices (2016). AUA/SUFU, diretriz sobre urodinâmica em adultos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente tem indicação individualizada, definida em avaliação clínica.
