A fisioterapia pélvica é uma das ferramentas mais importantes no tratamento da perda de urina e de outras queixas do assoalho pélvico. Mesmo assim, muita gente não sabe exatamente o que ela é, como é feita e se funciona de verdade. Este texto responde a essas dúvidas.

O que é fisioterapia pélvica

É a área da fisioterapia que avalia e trata os músculos do assoalho pélvico, um conjunto de músculos em forma de rede que fica na base da pelve. Eles sustentam a bexiga, o útero e o reto, ajudam a manter a urina e as fezes no lugar e participam da função sexual. Quando esses músculos estão fracos, descoordenados ou, ao contrário, tensos demais, podem surgir sintomas como perda de urina, urgência, prolapso e dor.

Fisioterapia pélvica funciona?

Para várias situações, sim, e com boa base científica. As principais diretrizes, como a do NICE, recomendam o treinamento supervisionado dos músculos do assoalho pélvico como primeira linha de tratamento para a incontinência urinária de esforço e para a incontinência mista. Revisões da Cochrane mostram que mulheres com incontinência que fazem esse treinamento têm mais chance de relatar melhora ou desaparecimento das perdas do que as que não fazem.

O resultado, porém, depende de alguns fatores: o tipo e a causa da incontinência, a técnica correta, a regularidade e a duração do treinamento. O NICE orienta um programa de pelo menos três meses antes de avaliar a resposta. Ou seja: funciona melhor para quem faz direito e por tempo suficiente.

Para quem é indicada

  • incontinência urinária de esforço e mista;
  • urgência urinária e bexiga hiperativa, junto com o treinamento da bexiga;
  • prolapso genital leve a moderado, para aliviar sintomas;
  • gestação e pós-parto, para prevenção e recuperação;
  • antes e depois de algumas cirurgias pélvicas;
  • dor na relação sexual ligada à tensão dos músculos pélvicos;
  • alguns casos de prisão de ventre por dificuldade de relaxar a musculatura.

Como é uma sessão

Na primeira consulta, a fisioterapeuta conversa sobre os sintomas e avalia os músculos do assoalho pélvico: força, resistência, coordenação e capacidade de relaxar. Essa avaliação muitas vezes inclui um exame interno, feito com consentimento e explicação. A partir daí, o tratamento pode incluir:

  • Exercícios orientados de contração e relaxamento, com progressão ao longo das semanas;
  • Biofeedback: um aparelho mostra na tela a contração do músculo, o que ajuda a mulher a perceber se está fazendo certo;
  • Eletroestimulação, em casos selecionados;
  • Orientações de hábitos sobre líquidos, intervalo entre as idas ao banheiro e postura para evacuar;
  • Técnicas para o dia a dia, como contrair o assoalho pélvico antes de tossir ou levantar peso.

Os exercícios continuam em casa, entre as sessões. É nessa constância que o resultado aparece.

Posso fazer os exercícios sozinha?

Os exercícios de Kegel podem ser feitos em casa e são um bom começo. O problema é que uma parte importante das mulheres, quando recebe só a explicação verbal, contrai o músculo errado (barriga, glúteos ou coxas) ou até empurra para baixo em vez de contrair. Por isso o acompanhamento com fisioterapeuta faz diferença, principalmente quando não há melhora depois de algumas semanas.

Qual o papel da uroginecologista

Antes de começar, é importante ter um diagnóstico: saber o tipo de incontinência, descartar infecção, avaliar se há prolapso e se a bexiga esvazia bem. A uroginecologista faz essa avaliação, indica a fisioterapia quando ela é o melhor caminho e acompanha a evolução junto com a fisioterapeuta. O guia completo sobre incontinência urinária na mulher explica como é essa avaliação.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para ver resultado com a fisioterapia pélvica?

Varia, mas as diretrizes recomendam manter o treinamento por pelo menos três meses antes de avaliar a resposta. Algumas mulheres percebem melhora antes disso.

Fisioterapia pélvica dói?

Em geral não. Pode haver algum desconforto na avaliação interna, que é feita com cuidado e só com o seu consentimento.

Fisioterapia pélvica substitui a cirurgia?

Para muitas mulheres, ela é suficiente e evita a necessidade de cirurgia. Para outras, a melhora não é bastante e a cirurgia pode ser considerada depois. A avaliação define o caminho.

Quando procurar uma uroginecologista

Procure avaliação se você perde urina, tem urgência para urinar, sente peso na vagina ou dor na relação, antes de começar qualquer tratamento por conta própria. Faça também a avaliação gratuita de incontinência (ICIQ-SF), que ajuda a medir o impacto da perda e a acompanhar a evolução.

A Dra. Gabriela Costa, ginecologista com subespecialidade em uroginecologia, atende em Belo Horizonte. Conheça o atendimento em uroginecologia ou agende pelo WhatsApp.

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Fontes consultadas: NICE, diretriz NG123: Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management (2019). Dumoulin C et al., Pelvic floor muscle training versus no treatment, or inactive control treatments, for urinary incontinence in women, Cochrane Database of Systematic Reviews (2018). IUGA, folhetos informativos para pacientes.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente tem indicação individualizada, definida em avaliação clínica.

Dra. Gabriela Costa · CRM-MG 82497 · RQE 58897
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